Neste dia 13 de dezembro em que se comemora o 35º aniversário do título mundial do Flamengo, finalmente chegamos ao trimestre final da série sobre o ano rubro-negro. Após nove meses, o Flamengo, que viveu período instável no primeiro semestre, chegava ao auge técnico no trimestre anterior, só que o desgaste físico começava a aparecer e colocava em xeque o sonho do hepta e a concretização do cheirinho que tanto mobilizou o torcedor por todo o país. A reta final, de maneira detalhada, é contada a partir de agora. Começando por outubro.
Outubro
Após o final decepcionante de setembro, o Flamengo chegava a outubro na luta para ser líder do campeonato. Sendo assim, o time viajou até São Paulo para enfrentar o Tricolor do Morumbi. Em atuação complicada, o Fla, embora tenha tentado bastante, não conseguiu chegar ao gol. Na melhor chance, Pará achou ótimo cruzamento para Leandro Damião, que parou no goleiro Denis. O Rubro-Negro ainda quase perdeu o jogo após Chávez receber bola livre e parar no goleiro Muralha. No fim das contas, apesar do tropeço, o 0-0 no estádio do adversário não foi ruim.
No jogo seguinte, novamente em São Paulo, o Flamengo enfrentaria o Santa Cruz. Contra um adversário frágil, o Fla foi muito superior desde o início. O time, com a bola no pé e domínio do jogo, chegou ao primeiro em grande jogada pela esquerda que terminou em conclusão de Felipe Vizeu. Após o gol, o Flamengo administrou a vantagem em busca do segundo, que só veio depois do intervalo. Após escanteio batido por Alan Patrick, Diego acertou a trave e, no rebote, Willian Arão marcou. Após o segundo gol, o Fla ficou ainda mais tranquilo e teve paciência para chegar ao terceiro. Emerson Sheik em grande jogada encontrou Marcelo Cirino, que driblou Édson Kolln para fazer o terceiro. Fim de jogo no Pacaembu e perseguição ao líder devidamente mantida.
O jogo seguinte seria contra o Fluminense, em Volta Redonda, e rendeu dentro e fora do campo (sobre o duelo fora de campo você lê abaixo na observação pertinente). Dentro de campo, o clássico foi animado. O Flamengo começou ligado no jogo e abriu o placar em lance confuso que acabou sendo confirmado como gol contra do zagueiro Henrique – aquele mesmo que quase foi pro Fla no início do ano. O Rubro-Negro seguiu controlando o jogo no primeiro tempo.
Mas veio o intervalo e depois dele tudo mudou. O Fluminense, pilhadíssimo, marcou o gol ainda no comecinho com Marcos Júnior e teve grande chance na sequência. Só que a sorte estava com o Flamengo. Após erro bizarro de Wellington Silva, Fernandinho aproveitou e escorou para o fundo da rede. Vantagem rubro-negra. O jogo daí em diante ficou extremamente aberto e o Fluminense começou a pressionar em busca de novo empate. Quando a partida se encaminhava para o fim, falta para o Flu e aí a confusão começou.
Tudo devido ao que aconteceu no decorrer da falta. Scarpa cobrou e Henrique desviou para o gol. Com um detalhe, Henrique estava impedido. A confusão se iniciou devido à seguinte situação. No momento em que Henrique tocou a bola para o gol, o bandeirinha marcou o impedimento corretamente. Ao mesmo tempo, o árbitro Sandro Meira Ricci fez o sinal de braços em X também invalidando o lance. Entretanto, após muita pressão dos atletas do time tricolor, o árbitro e o assistente voltaram atrás, validando o gol. Aí foi a vez de a chiadeira ser rubro-negra.
Com muita reclamação, o trio, obviamente atrapalhado e pressionado, parou o duelo por 13 minutos. Após muitos debates e “avisos esquisitos” de pessoas de fora do campo, Ricci e o assistente anularam o gol do Fluminense. Após as reclamações da decisão definitiva, o jogo ainda teve contornos de drama. Marcos Júnior teve a chance do empate por duas vezes, mas parou em Alex Muralha. Fim de jogo e vitória flamenguista. Para completar o momento, o Flamengo ainda viu o Palmeiras tropeçar e a distância voltar para um ponto. O próximo desafio? O Internacional.
Contra o Internacional em Porto Alegre, o Flamengo teve o que tinha de pior na competição. Irregularidade dentro dos jogos. Os rubro-negros fizeram um primeiro tempo inteligente e, se aproveitando do desespero do rival, de certa maneira, controlaram o jogo. Após o intervalo, o time carioca chegou ao gol em bola parada. De Diego para Réver e de Réver para o gol. Por um minuto, o Fla liderou o campeonato. Só que depois desse minuto, tudo deu errado. O Flamengo, sem perceber, deu campo ao Internacional e atuou muito mal a partir de então. Com espaço, o Internacional empatou com Eduardo Sasha e virou com Vitinho. Zé Ricardo ainda tentou algo com mexidas após a virada colorada, mas de nada adiantou. Após dez jogos no campeonato, o Fla enfim perdia. E a liderança que chegou a acontecer por alguns instantes se transformou em desvantagem de quatro pontos após a confirmação da vitória do Palmeiras em Florianópolis. Para o jogo seguinte, estava marcado o retorno ao Maracanã.
Diante do Corinthians, o Fla atuaria no Rio de Janeiro como mandante pela primeira vez na temporada. A expectativa era do tamanho da enorme nação rubro-negra e o jogo foi bom. Com o estádio cheio, o Fla tomou a iniciativa e até marcou primeiro, mas o juiz corretamente apontou o impedimento de Guerrero no momento da conclusão. Só que na sequência do lance, o corintiano Guilherme carregou sozinho pelo meio, viu espaço e acertou um balaço no canto de Muralha: 1-0 para os visitantes. A partir daí, o Flamengo foi pra pressão e conseguiu falta pelo lado direito. Nessa falta, Diego achou Guerrero – impedido – na área para decretar o empate no jogo. Com o 1-1, o Maracanã se tranquilizou e imaginou que a virada seria questão de tempo. Mas aconteceu justamente o contrário. Completamente nervoso, um desorganizado Fla viu o Corinthians chegar ao segundo gol em grande jogada coletiva.
Após o intervalo, o Rubro-Negro até melhorou um pouco, mas ainda se mostrava impaciente e apelava para a bola cruzada. Num escanteio conseguido, Diego de novo jogou bola na área e Guerrero após rebote da primeira cabeçada de Arão testou para o gol. De novo o empate e de novo a expectativa natural da virada que não veio. O resto do jogo foi um ataque (Flamengo) contra defesa (Corinthians) que era por vezes ameaçado por contra-golpes dos visitantes. Mas o placar não mudou e o empate persistiu. Com o resultado confirmado, restou à torcida aplaudir a garra do time que, mesmo jogando mal, não havia desistido e ainda tinha seis jogos para tentar uma virada rumo ao hepta.
O último jogo do mês seria contra o Atlético Mineiro em Belo Horizonte. Diante dos mineiros, o Flamengo fez um primeiro tempo que beirou a perfeição. Com intensidade e movimentação – em especial dos dois pontas – o Flamengo amassou o Atlético e poderia ter saído com a vitória bem encaminhada ainda no primeiro tempo. No entanto, a vantagem mínima construída nos 45 minutos iniciais acabou sendo aniquilada na queda do segundo tempo. Sem a força pelas laterais, o Flamengo foi recuando e dando campo ao Atlético na etapa final. A partir daí, surgiu espaço para a virada do Galo que veio em gols de Fred e Lucas Pratto. O rubro-negro, ainda atordoado da pancada, soube ter forças para chegar ao empate com Guerrero e minimizar o prejuízo. Mas diante do que teve em mãos, o empate acabou sendo a tônica do mês rubro-negro. Abaixo do possível.
Resumo dos jogos do mês:
São Paulo 0-0 Flamengo
Flamengo 3-0 Santa Cruz
Fluminense 1-2 Flamengo
Internacional 2-1 Flamengo
Flamengo 2-2 Corinthians
Atlético Mineiro 2-2 Flamengo
Retrospecto: 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Gols marcados: 10; Gols sofridos: 7
Artilheiros do mês: Guerrero 3; Felipe Vizeu, Marcelo Cirino, Willian Arão, Réver, Fernandinho, Diego e gol contra 1.
Observação Pertinente: O jogo Flamengo e Fluminense chegou a ter seu resultado suspenso devido à confusão e as suspeitas de interferência externa. Uma reportagem da TV Globo mostrou com clareza que Sandro Meira Ricci foi avisado pelo delegado do jogo de que o gol de Henrique foi irregular. Apesar da denúncia e da reportagem que mostrava indícios claros, em 20 de Outubro de 2016, sete dias depois da realização do jogo, o STJD decidiu arquivar o pedido de impugnação do jogo feito pelo Fluminense. Com isso, a vitória rubro-negra foi confirmada e o time continuou naquele momento com 60 pontos.
Após uma queda na reta final do mês, o sonho do título ficou complicado e o Flamengo entrava em novembro pressionado para fazer uma reta final praticamente perfeita para conseguir o hepta. Entre os mais realistas, a meta seria permanecer no G3 – que dá vaga na Libertadores diretamente na fase de grupos – e fechar o ano de maneira positiva. Os últimos cinco jogos rubro-negros no ano e o fim do campeonato você acompanha na próxima parte do “Dissecando o Flamengo-2016” Até lá!
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Jogo mais ou menos contra o SPFC e beeeeeeeeeeem fácil contra o Santinha. Sobre o Fla-Flu, melhor eu deixar pra lá… rs
Até hoje não entendo como o Flamengo conseguiu perder para o rebaixado Internacional.
A cena do Sheik pedindo calma após o 1° gol do Corinthians foi bem bizarra. E o Paolo enfim desencantou contra o ex-clube.
O jogo do Atlético tem um caso curioso: quando o Pratto fez 2×1, ato contínuo mudei pro jogo do Bahia. Quando volto pra internet e leio que o Flamengo tinha empatado eu comecei a rir, como se dissesse “não é possível que isso aconteceu”.