A primeira noite de desfiles do Grupo de Acesso do Rio de Janeiro foi marcada por sambas aquém do que seria ideal, agremiações bastante decentes em termos plásticos levando-se em conta os recursos financeiros deste grupo e uma constatação: a campeã sairá do desfile deste sábado.

Alguns pontos a serem considerados antes de falarmos das escolas: um ponto positivo foi o ótimo público nas dependências da Marquês de Sapucaí nesta sexta feira, com uns 80 a 90% de lotação esgotada. Por outro lado, menos funcionários na organização – especialmente da Riotur – e muita dificuldade para se adentrar a área de desfile com bolsas térmicas.

Escola a escola, algumas palavras sobre cada desfile desta sexta na visão de quem estava no Setor 3, início da pista:

Acadêmicos do Sossego: carros bem arrumadinhos e bonitos, embora bastante “caixotes”. Mestre Átila, estreando na escola, imprimiu um peso bastante agradável à bateria, conhecido como “Padrão Madureira”. O bom samba, conduzido com competência pelo ótimo Leandro Santos, talvez tenha sido o melhor da noite.

O ponto negativo foi o desenvolvimento do enredo, que ia e vinha sem seguir uma sequência lógica. Mesmo com o roteiro de desfiles ficava confuso em diversos aspectos. Ainda assim, mesmo abrindo os desfiles não acredito em rebaixamento.

Alegria da Zona Sul – o problema com a entrada do abre alas gerou o melhor momento das noite: um esquenta sensacional com “Vou Festejar” e um ponto de candomblé dedicado a Ogum. Igor Vianna (acima), em sua melhor atuação na carreira, incendiou o público e depois levou com competência o limitado samba.

Destaque também para o desenvolvimento do enredo, bastante compreensível. Beth Carvalho estava no último carro e fechou um desfile que não deve ficar bem colocado, mas que deve garantir mais um ano à agremiação na Sapucaí.

Os pontos negativos foram os de sempre: a bateria e a harmonia. Quase ninguém cantava o samba nas alas, nem os diretores.

Unidos do Viradouro – se dizia no pré carnaval que a escola era a grande favorita ao título, mas sua apresentação deixou a desejar sob este aspecto. O limitado samba não funcionou e isso acabou influenciando nos demais quesitos de pista, apesar do bom desempenho do intérprete Zé Paulo.

O desenvolvimento do enredo, embora correto, também não foi dos mais criativos em termos de fantasias e especialmente alegorias, estas bastante tímidas.

Império da Tijuca – errei. Errei feio. Dizia que este samba teria bom rendimento, mas, somado ao péssimo som da avenida neste momento, a parte musical tornou o desfile bastante chato. Apesar da boa bateria.

O enredo sobre São João Batista foi contado com correção, mas sem grande brilhantismo. Dava e podia mais, mas aquele meio de tabela típico.

União do Parque Curicica – não tinha alegorias faltando nem fantasias. Mas tudo mal concebido, de gosto duvidoso, um enredo que era uma salada ininteligível e um samba muito ruim, em português claro.

Salvou-se a bateria, que veio puxada pelos Mestres Lolo (Imperatriz) e Nilo Sérgio (Portela). Mas a não ser que ocorra um desastre hoje, a escola tem tudo para desfilar na terça feira de carnaval em 2018.

Estácio de Sá – Errei de novo. O samba, que considerava limitado, passou muito bem e embalou um desenvolvimento bastante claro do enredo sobre Gonzaguinha.

Bateria, alegorias e fantasias bastante corretas, harmonia boa e evolução com problemas no segundo módulo, com buraco. A melhor da noite, mas não acredito nem em pódio no resultado final.

Acadêmicos de Santa Cruz – não vi o desfile todo porque, com quase 24 horas acordado após um dia de trabalho, o corpo não resistiu. Do que vi, um desfile bastante correto, como os inúmeros que a agremiação fez na última década – mas um nível acima.

Em resumo, uma noite correta de desfiles, mas sem grandes emoções. Especialmente devido à limitação dos sambas, em minha avaliação.

Imagens: Ouro de Tolo

[related_posts limit=”3″]