28 de fevereiro de 2017.  O dia em que vimos o que os desfiles das escolas de samba têm de melhor e de pior.

Logo nos primeiros minutos de terça-feira, a gloriosa Mocidade Independente de Padre Miguel voltou a arrancar um sorriso orgulhoso de seus torcedores numa ótima apresentação com o enredo sobre Marrocos.

Depois de tantos anos apanhando e sofrendo, os independentes deram as mãos e renasceram. Desfilaram com garra ao som de um belo samba e mostraram que, sim, a Mocidade está viva.

O vice-campeonato é um prêmio a essa escola, que ainda por cima conseguiu a grande vitória desse Carnaval: não corroborar o escárnio que foi a decisão de não rebaixar nenhuma escola – escreverei sobre isso depois.

Lá pelo meio da madrugada, surgiu ela, a águia altaneira portelense. Como já escrevi, não vi a perfeição de 2014, tampouco a catarse de 2015 e nem o impacto de 2016, mas a maior de todas as escolas jogou para ganhar, com todas as suas armas.

Armas do bem, é claro! O canto, a beleza, o ritmo… O rio portelense fluía que era uma beleza! Passou e passou com categoria, mostrando que o resgate iniciado por portelenses abnegados foi bem-sucedido. PORTELA CAMPEÃ!

Como mangueirense, também tenho motivos de estar orgulhoso. Foi mais um belíssimo desfile, com uma mensagem cristalina e uma singeleza inquestionável. Houve problemas, o bicampeonato não veio. Paciência! O Palácio do Samba aplaude a vitória portelense.

Pena que também vimos o lado negro da força, como se diz… O lamentável acidente com a alegoria da Unidos da Tijuca explanou tudo de ruim que se possa imaginar na festa que tanto amamos.

Segundo o laudo preliminar, houve falha numa das estruturas do carro, causando um acidente que, por sorte, não matou ninguém. E o que foi feito na hora do acidente? Nada. Seguiram com o desfile em meio ao atendimento aos feridos.

Sobre a deficitária estrutura do sambódromo, o Migão, que acompanhou in loco os desfiles, fará um texto mais aprofundado nos próximos dias. Mas como seguir um desfile em meio às ambulâncias? Como desprezar as vidas que corriam risco em cima da alegoria?

A opção da Unidos da Tijuca e da Liesa foi seguir o cortejo. Aí o desfile foi uma bagunça, com as alas se espremendo em meio ao carro danificado, harmonia arrasada, clima terrível em meio aos desfilantes… Risco claro de rebaixamento, certo? Não foi bem assim…

Num “grande acordo”, decidiram que não haveria rebaixamento por causa dos acidentes com Tijuca e Tuiuti. Depois de um erro único e exclusivo das próprias escolas envolvidas, elas estavam blindadas. Repito: duas falhas culposas (não dolosas, é claro) de Tijuca e Tuiuti.

Pior foi ver todos os presidentes das escolas, exceto a Mocidade, que foi mais independente do que nunca, concordarem com esse absurdo! Por que essa benevolência com quem errou? E mais: por que o não rebaixamento foi levantado só depois do problema com a Tijuca? E se apenas a Tuiuti tivesse tido um incidente?

Alguém, por favor me dê uma explicação plausível para isso. Por favor, me convençam de que sou maluco e estou errado no meu questionamento!

Alguns podem afirmar que em 2011 ninguém foi rebaixada por causa do incêndio na Cidade do Samba. Mas são situações completamente diferentes. Há seis anos houve um ACIDENTE, não houve erro das escolas envolvidas. Em 2017, quem falhou foi blindado.

Está mais do que na hora de se questionar o atual modelo de gestão das escolas de samba e cobrar mais transparência nas decisões. O Carnaval movimenta milhões e muitas comunidades têm nas escolas de samba seu maior motivo de orgulho.

Tomara que todos os veículos especializados em Carnaval se unam nessa vigilância e cobrança constante.

Não deixem o samba morrer, não deixem o samba acabar!

2 Replies to “O melhor e o pior do Carnaval no mesmo dia”

  1. Marmelada pura.
    Tem nem o que comentar. E orgulhoso da minha Mocidade. Nessa ela foi muito, mas põe muito, independente dentro e fora do “campo” (avenida).

  2. Bom dia!

    Prezado Fred Sabino:

    Até que se tenta dar algum crédito à festa que encanta gente do mundo inteiro.
    Isto porque esta gente do mundo inteiro não tem conhecimento deste e tantos outros episódios.

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

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