Num país em que tudo vem dando errado, uma coisa está dando certo, e por incrível que pareça de onde nada se esperava, pelo menos até um ano atrás.

A Seleção Brasileira.

Pois é, nós já tínhamos sepultado a Seleção Brasileira, ela já tinha passado para nós do estado da raiva para a galhofa, quando um roubo que ela sofreu fez tudo mudar. O tal gol irregular do Peru contra o Brasil, que tirou a Seleção da Copa América Centenário e, por consequência, o emprego do Dunga.

Já falei algumas vezes da Seleção de Tite aqui, mas a façanha dessa equipe vai aumentando cada vez que entra em campo, e o papo fica defasado. Em março do ano passado, tínhamos certeza de que o Brasil sofreria nas Eliminatórias e a classificação, se viesse, ocorreria apenas na última rodada, mas a simples mudança de técnico fez que o Brasil fosse a primeira Seleção a se classificar para a Copa.

Sim, a primeira, aquela mesma que tinha virado galhofa, que ninguém mais prestava atenção e era ridicularizada no mundo inteiro foi a primeira a se classificar via Eliminatórias para a Copa. Agora, o Brasil encanta o mundo, manda de forma impiedosa na América do Sul e depois de sete anos volta ao primeiro lugar do ranking da FIFA.  

Não foi uma simples escolha de técnico, mas “o técnico”. O Brasil, tão desatualizado em treinadores, ainda tem um com competência e que se equipara aos melhores do mundo. Curioso isso porque até 2012 Tite era apenas mais um treinador no futebol brasileiro, um treinador que passara por diversos clubes e sido demitido de todos eles, mas a tal derrota para o Tolima parece que fez tudo mudar. De lá pra cá Tite ganhou força, parece ter estudado, se reinventado em uma carreira que o ego é tão grande que não permite que ex-medalhões pensem o mesmo. Dessa forma Adenor virou não só o melhor técnico do Brasil como uma das maiores personalidades do país, muito pelo fato de sermos hoje um país em que tudo dá errado como citei no começo.

Uma pesquisa recente mostrou que 15% dos brasileiros votariam em Tite para presidente em 2018. Normal em um momento de lava jato e políticos ferrando o povo. Tite representa hoje o que Ayrton Senna representou no fim dos anos 80 e começo dos 90 quando em tempos de hiperinflação, desemprego e confisco da poupança um piloto de F1 virou herói.

Tite virou ídolo porque é um estudioso, um humilde e carismático sujeito que sabe que é preciso sempre aprender e que muitas vezes o simples é o caminho mais fácil. Ele explora o melhor de todos os jogadores fazendo que joguem nas posições onde jogam em seus clubes. Organizou a seleção e isso basta que figure entre as melhores.

O problema é a “crise dos três anos” que sempre atinge a seleção brasileira. O fato de chegar no auge de seu desempenho três anos depois da última copa e faltando um ano para a seguinte. Isso ocorreu em 2005, 2009 e 2013 quando conquistou o tricampeonato da Copa das Confederações. Copa do mundo é um torneio perigoso onde em um jogo tudo pode se perder. Em 2010 bastaram quarenta e cinco minutos ruins contra a Holanda.

Mas só saberemos disso tudo em 2018. Até lá temos que curtir a volta de alguém tão querido para nós como a seleção brasileira. Particularmente não esperava que em tão pouco tempo fossemos deixar a mágoa do 7 x 1 de lado e voltar a vibrar com o Brasil. Não pensei que voltasse a me emocionar com o futebol da camisa amarela e só posso agradecer a esse cara boa praça e talentoso chamado Tite.

Que venha a Copa do Mundo, quem sabe com ela a redenção? O hexa?

Vai começar tudo de novo.

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