Todo mundo já sabe o que ocorreu em São Januário durante o clássico Vasco x Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Porém, por mais que saibamos e tenhamos visto as cenas inúmeras vezes, sempre que vemos impressiona.

Punições já ocorreram. São Januário foi interditado, o Vasco, multado, e o clube terá que jogar sem público hoje contra o Santos no Engenhão. E daí?

Sim, eu pergunto e daí porque o estádio de São Januário em si, patrimônio do Brasil, não tem culpa nenhuma, é um ser imóvel que não ataca nem joga bombas em ninguém. Sou então contra a punição?

Não porque o estádio é imóvel, mas as pessoas que comandam o Vasco não podem ser e em um pensamento favorável a eles diria que essas pessoas são imóveis, eu disse favorável porque se for colocar maldade na minha cabeça eles movimentaram muito para que tudo isso ocorresse.

Ocorreu em São Januário como ocorreram em todos os últimos jogos do Inter no Beira Rio, como mataram um torcedor em um Flamengo x Botafogo no Engenhão e já foi esquecido, como surraram um torcedor do Fluminense no começo do ano, como teve confusão no Engenhão domingo passado no Botafogo x Atlético, como teve confusão e morte num Vila Nova x Goiás e no recente Palmeiras x Corinthians,

Não está dando certo a forma de punir no futebol. Punem estádios e não prendem as pessoas mesmo com os estádios com inúmeras câmeras que mostram até o dente careado do agressor. Mas é aquilo, se você quer bater ou mesmo matar alguém faça isso em um estádio de futebol porque é a certeza que ficará livre. Eu quero levar meus filhos a estádios, levei num jogo de sub-20 e provavelmente hoje levarei em um da Série D.

Mas eu queria levar em jogos do meu time, jogos grandes. Mas se fizer isso e o conselho tutelar quiser tirá-los de mim, terei que dar razão porque ir a um simples e mísero jogo de futebol que, por mais que alguns adorem falar que não é só um jogo, é sim só um jogo, virou perigo de morte.

Fecham estádios, impedem entrada de sinalizadores, bandeiras, venda de bebida, acabam com torcidas organizadas e nada acontece, Sabem por quê? A resposta é muito simples.

Porque tem criança morrendo de bala perdida em sala de aula, tem grávida tendo o útero perfurado por bala e seu filho nascendo paraplégico, tem morador de rua sendo assassinado. O problema somos nós, vivemos hoje em uma sociedade doente e o futebol não é o todo, faz parte dela.

Não é difícil explicar essa era de ódio em que vivemos. A corrupção, o agravamento econômico e, por consequência, queda do nível de vida de famílias, estados falidos, impunidade e o país dividido entre coxinhas e mortadelas são grandes responsáveis por isso.

Não existem inocentes nessa situação. A incompetência e corrupção dos governos de esquerda criaram Jair Bolsonaro e outros que seguem sua doutrina.

A direita incompetente para ganhar no voto e que não dá a mínima para a desigualdade social e para pessoas que não tem oportunidades na vida criaram o menor delinquente e o bandido com arma na cabeça do “cidadão de bem”, assim um aponta o dedo para o outro e todos tem culpa.

Você escreve algo no Facebook e no Twitter que alguém não concorda e essa pessoa em vez de debater a ideia ofende você. As redes sociais, tão boas para algumas situações, deram voz aos idiotas. O covarde agora pode atacar, mostrar todo seu rancor, sua raiva sem precisar se mostrar. A ofensa, o ódio não tem cara, são sombras que estão na parede nos espionando e prontas para atacar.

Botar todo o problema da violência, desse ódio que nos assombra hoje em dia no futebol é enxugar gelo. Enquanto tiver gente sem receber salários ou sem empregos, hospitais sucateados, desigualdade social, corruptos de estimação ou indignação seletiva será assim.

Enquanto tivermos presidentes protegidos por quadrilha será assim, enquanto acharmos que todos são corruptos menos o político que amamos será assim. Sabemos que está tudo errado, mas nada fazemos porque em vez de existir uma união para mudar isso preferimos apontar o outro como culpado.

Enquanto isso, vamos perdendo esse violento Fla x Flu que se tornou a vida.

Cada vez mais afundados no Z4.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

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