Esse bordão ficou conhecido na segunda metade dos manos 70, quando no humorístico “A praça de alegria” uma americana ingênua interpretada por Kate Lyra era ensinada a falar palavras chulas por brasileiros malandros achando que significavam outra coisa. O quadro fez tanto sucesso que a atriz americana até disco lançou com o bordão.
Antigamente era normal ensinar palavras erradas para gringos ou xingá-los na língua natal sem eles entenderem. Na minha família ficou famosa a história do meu tio entrando em um bar nos Estados Unidos e dizendo “aqui só tem fdp” e os caras sorrirem. Ríamos demais quando lembrávamos da história, mas os tempos são outros e isso não é ruim.
Existe hoje uma normal não oficial que algo para ser engraçado tem que fazer todos rirem e se alguém não não achar engraçado se constrangendo ou ofendendo não é engraçado. A priori vemos algo assim e reclamamos dizendo clichês como “o mundo está chato” ou que é vitimismo ou o famoso mimimi. É fácil levarmos para esse lado em vez de pararmos para pensar.
É fácil para nós homens brancos, heterossexuais e de classe média reclamar que não nos deixam mais gozar os outros como antigamente, mas alguém já procurou se colocar no papel da vítima? Mesmo procurando fazer isso não dá para ter noção do que elas sentem, só passando por isso, talvez como latinos em um país europeu poderíamos passar, mas é difícil pedir para o opressor que se coloque na pele do oprimido.
O quadro da Kate Lyra hoje é politicamente incorreto assim como os vários quadros humorísticos que abusavam do sexismo tratando a mulher como objeto ou piadas sobre negros. Dizem que isso é atrapalhar o trabalho do humorista, mas vejo o contrário, se o cara que tem talento mostra aí sua capacidade. O melhor humor sempre foi aquele que tira sarro de quem oprime, Chaplin está aí para comprovar.
Não é tudo do politicamente correto que concordo, sinceramente não tenho opinião formada sobre os gritos de “bicha” nos estádios. Afinal, chamar alguém de homossexual é xingamento? Chamar alguém que não é bicha de bicha é?
Devemos parar também de chamar o juiz de ladrão porque mostra assim dúvidas sobre a honestidade de um profissional e nosso atacante de fdp ao perder um gol porque põe em dúvida a integridade de sua mãe mesmo sabendo que tudo isso é da boca pra fora? Sinceramente não sei, mas como alguém que nasceu e foi criado durante esse processo de mudanças procuro aprender e me adaptar aos novos tempos, não é ruim uma época onde o respeito é valorizado.
Que os caras que tiraram sarro da moça na Rússia aprendam a lição e que eles e outros parem de se agarrar em expressões como “homens de bem” e “pais de família” como defesa, temos percebido que homens de bem são o que de pior tem nesse país e fazer filho em alguém não é desculpa para agir errado.
Brasileiro não precisa ser bonzinho, basta não ser babaca.
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