O que está em jogo neste processo são duas coisas: a tentativa por parte do Clube dos 13 de fundar uma liga independente para gerir o Campeonato Brasileiro e, mais que isso, a renovação próxima dos direitos de televisão para o triênio 2012/13/14.
Ao contrário do processo anterior, onde os direitos referentes à televisão aberta, fechada, pay per view e internet foram vendidos “em bloco”, para a próxima negociação cada “fatia” será vendida separadamente. Isso tem dois objetivos: maximizar a renda proveniente da venda dos direitos e permitir que mais empresas possam participar da licitação.
Vale lembrar ao leitor que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão que regula a concorrência e sua defesa no Brasil, ano passado decidiu que a Rede Globo não teria mais o direito de cobrir todas as demais propostas que fossem apresentadas ao término da licitação, como era feito anteriormente. Isso desestimulou as concorrentes a apresentarem propostas por ocasião da última concorrência, e a Rede Globo manteve seu monopólio.
Com a decisão do Cade, a expectativa é de que a Rede Record de Televisão apresente uma proposta considerada financeiramente imbatível para a televisão aberta: aproximadamente R$ 1 bilhão pelos três anos de contrato – aproximadamente o dobro do valor atual, e isso consideradas todas as mídias citadas anteriormente. E acena com uma proposta altamente tentadora tanto a clubes quanto aos torcedores: fazer a transmissão dos jogos noturnos às 20 horas, ao contrário do “horário de boate” atual das 22 horas – e que a detentora atual dos direitos estuda levar para as 22 horas e trinta minutos para não ter de mexer na duração do capítulo da novela.
Esta mudança de horário é benéfica tanto a clubes quanto a torcedores. Aos clubes porque aumenta a visibilidade, a audiência e o público nos estádios – já escrevi aqui anteriormente sobre a dificuldade que é ir ao maracanã, por exemplo, para um jogo às 22 horas. Ao torcedor porque fica mais viável ir ao campo de jogo e mesmo aqueles que assistem pela televisão não precisam ter uma noite mal dormida para acompanhar o seu time pela televisão. A rede afirma ter uma pesquisa indicando que o público que vai aos estádios prefere este horário de balada, mas pessoalmente acho difícil: conheço muita gente e todo mundo, sem exceção, abomina a “Sessão Corujão” em que se transformaram os jogos noturnos na televisão aberta.
Além disso, a emissora paulista acena com a possibilidade de “girar” a sua programação jornalística às quartas e quintas em função das partidas, o que aumentaria a visibilidade dos clubes, em especial dos times de menor expressão – cujos jornais locais cobririam os clubes locais.
A Rede Globo acena com uma proposta bem menor financeiramente e não admite mexer em sua programação em função do futebol. Ao contrário, quer levar as partidas para um horário ainda mais tarde a fim de privilegiar a novela “das oito”, que hoje começa por volta de nove e quinze da noite. Seus diferenciais seriam a já consolidada audiência e algumas novidades tecnológicas que a emissora estuda implantar nas transmissões.
Outro ponto que deve ser considerado é a parceria entre a emissora carioca e a CBF, em especial o presidente da entidade Ricardo Teixeira. Seu grande aliado no Clube dos 13 é o presidente do Corínthians, que deseja uma fatia maior da verba e maior poder dentro do Clube dos 13. Entretanto, o clube paulista sozinho não teria poder de contrabalançar os demais, então havia a necessidade de se aliar ao Flamengo, o maior clube do país – com se viu na recente candidatura fracassada do Sr. Kleber Leite à Presidência.
Qual foi a moeda de troca? O reconhecimento do Brasileiro de 1987.
Com isso, Flamengo, Corínthians, CBF e Traffic – outra importante peça deste quebra-cabeças e quem viabilizou financeiramente a vinda de Ronaldinho Gaúcho para o clube rubro negro. Penso eu que a idéia é um “racha” na entidade em caso de derrota da proposta global – que acena com parcelas maiores aos dois clubes – com os dois gigantes partindo para negociar separadamente seus direitos de televisionamento.
Apoiado pela dupla Flamengo e Corínthians, as duas maiores torcidas e “trens-pagadores” do campeonato, a CBF busca também implodir a proposta de um campeonato brasileiro autônomo, organizado exclusivamente pelos clubes – o que retira tremendamente poderes da confederação. De certa forma, ao que parece iremos assistir novamente ao filme de 1987, onde a CBF sufocou a tentativa de independência dos clubes – gerando uma tremenda confusão que se arrastou até os dias de hoje.
Menor, mas importante, é o fato de que não irei me surpreender nem um pouco se o Flamengo passar a ter arbitragens “simpáticas” no Brasileirão que se aproxima – como já ocorreu com o time paulista em 2010. É o jogo de poder, o jogo de pressão, e os maiores aliados dos mandarins de nosso futebol são o rubro negro e o time da Marginal Tietê. Infelizmente é assim que a banda toca – quem pode mais chora menos. Camisa vale.
Finalizando, espero que esta negociação melhore um pouco as transmissões em pay-per-wiew, que hoje são muito ruins. O Campeonato Carioca vem sendo transmitido com pouquíssimos jogos, apenas três câmeras na maioria das partidas e equipe reduzida, muitas vezes formada por profissionais que não são do primeiro time da emissora responsável. Há uma clara preferência pelo mercado paulista – um São Bernardo e Grêmio Prudente é mais importante que um Flamengo e Vasco, por exemplo.
Vamos aguardar os acontecimentos. Voltarei ao palpitante tema.
P.S. – O editor especial da Rede Record e meu amigo Marco Aurélio Mello escreveu uma série de artigos bem interessante sobre o assunto em seu “DoLadoDeLá”. Recomendo a leitura.
Realmente a proposta de alteração do horário dos jogos para as 20 hs seria benéfica para os clubes e principalmente para o torcedor, mas quem se importa com o torcedor?
Não sei como vai ser se Flamengo e Corinthians negociarem a transmissão de seus jogos separadamente, já que no brasil vigora o formato de arena, onde os 2 clubes participantes têm que autorizar a transmissão do jogo.
Acredito que o melhor para os clubes seria forçar uma mudança nessa lei para que o clube mandante pudesse vender seus direitos para quem quisessem, possibilitando assim que cada clube negocie separadamente e retirando boa parte do poder do Sr. Ricardo Teixeira.
Só espero que o Flamengo não se venda por meia dúzia de bolinhas.
INFELIZMENTE MEU CARO RODRIGO, JÁ SE VENDEU,O RICARDO TEIXEIRA QUER ESSE PODER,VC ACHA MESMO QUE ELE QUER PEDER ESSA BOQUINHA?ACHO UM ABSURDO EM PAIS COMO O BRASIL,A GLOBO ATÉ HOJE TENHA ESSE MONOPOLIO,AGORA AINDA TEM ESSA GRANDE IDEIA DE COLOCAR OS JOGOS ÁS 22:30…SÓ PODE SER SACANAGEM MESMO…O GRANDE PROBLEMA É QUE OS CLUBES ESTÃO NA SUA GRANDE MAIORIA TODOS ENDIVIDADOS,FICAM NAS MÃOS DA GLOBO…AGORA FALAR QUE OS TIMES VÃO ATÉ SER BENEFICADOS PELA ARBITRAGEM? NO CASO DO FLAMENGO E CORINTHIANS…ISSO Ñ SERIA NOVIDADE,PELO QUE JÁ VI EM DIVERSAS VEZES ACONTECER…SÓ QUE Ñ PERCEBI ISSO,NA VERDADE É QUEM TORCE PRA ESSES CLUBES…ESPERO QUE A REDE RECORD CONSIGA OS DIREITOS…