Depois da enxurrada de punições relativas a dispersão e cronometragem no Carnaval de 1990, esperava-se que a Liesa afrouxasse um pouco nessa questão para que as escolas tivessem mais tranquilidade para completar os desfiles em 1991. Mas na verdade aconteceu tudo ao contrário.
Os noventa minutos do Carnaval anterior foram diminuídos para oitenta regulamentares. Além disso, o número máximo de alegorias foi reduzido de vinte para quinze.
Para os puristas, isso acabou gerando problemas nos anos seguintes: as escolas passaram a desfilar de forma mais apressada e, para que todos os componentes pudessem passar no tempo, as baterias ficaram mais aceleradas. Além disso, progressivamente os sambas passaram a ficar mais marcheados.
Outra mudança para 1991 foi no horário de início do desfile, que passou para as 18h de domingo e segunda. A Liesa, com isso, queria evitar que as apresentações terminassem com dia claro, e as últimas a desfilar fossem prejudicadas. Só que, por causa do horário de verão, as primeiras agremiações de cada dia ainda se apresentariam de dia.
Na verdade, criou-se esse fantasma do sol num desfile, mas, tirando a questão física de se desfilar sob calor, a história sempre mostrou apresentações extraordinárias ocorridas sob a luz solar. Fato é que os desfiles matutinos tinham seu charme, e o público teria de se acostumar a ver as apresentações terminarem antes do amanhecer.
Outras mudanças importantes, estas bem válidas, ocorreram na contagem das notas. Depois da confusa apuração de 1990, todos os quesitos passaram a ter o mesmo peso, e não houve mais descarte. Como novidade, as notas poderiam ser fracionadas em meio ponto.
Depois da incontestável vitória em 1990, a Mocidade Independente de Padre Miguel correria atrás do bicampeonato com o enredo “Chuê, chuá, as águas vão rolar”, sobre o elemento água. O samba, bastante popular, foi muito executado nas rádios na fase pré-carnavalesca, e a escola era favoritíssima ao título.
A bivice-campeã Beija-Flor de Joãosinho Trinta apostaria num tema crítico: “Alice no Brasil das Maravilhas”, associando a conhecida história infantil ao nosso país. O samba não era considerado dos mais inspirados, mas da Deusa da Passarela sempre se esperava muito.
Quem também prometia desfilar crítica era a Estácio de Sá. O objetivo da escola depois do bom quinto lugar de 1990 era manter-se entre as primeiras com um enredo que detonava a perda dos valores culturais brasileiros e a sociedade de consumo. O samba foi bem recebido pelos especialistas, mesmo com uma crítica pesada a Carmen Miranda.
Samba também não era o problema do Salgueiro, que contaria a história da Rua do Ouvidor. A novidade era a chegada do intérprete Quinho, que deixou a União da Ilha para substituir Rico Medeiros no microfone da escola.
Já a Tricolor Insulana tinha a volta do grande Aroldo Melodia depois de quatro anos. O enredo, irreverente e à feição da escola, era uma homenagem ao compositor Didi: “De bar em bar, Didi um poeta” passaria pelo universo dos botequins frequentado pelo inesquecível autor de sambas.
Uma grande novidade seria o retorno de Viriato Ferreira à função de carnavalesco depois de nove anos, pela Imperatriz Leopoldinense. O enredo contaria a história da banana, e o samba era dos melhores da safra.
Mas o melhor samba daquele Carnaval era o da Portela. A Azul e Branco levaria para a avenida o enredo “Tributo à Vaidade”. Apesar da beleza incontestável do samba, alguns críticos reclamavam que a letra só falava sobre a vaidade da escola, e não sobre a vaidade em geral que seria abordada pelo carnavalesco Silvio Cunha.
Outro samba considerado valente antes mesmo do desfile era o da emergente Unidos do Viradouro, que prestaria uma homenagem a Dercy Gonçalves. Já a Unidos de Vila Isabel também faria tributo a um personagem: Luiz Peixoto, dono de diversas facetas.
Outras agremiações, por outro lado, desfilariam com enredos um tanto diferentes de suas características, como Estação Primeira de Mangueira, São Clemente e Caprichosos de Pilares. E os sambas das três não eram tidos como dos melhores.
Samba que também recebeu várias bordoadas na fase pré-carnavalesca era o do Império Serrano. Na verdade, o enredo sobre os caminhoneiros era contestado desde a escolha – nada contra esses valorosos profissionais, mas havia dúvida se esse seria um tema apresentável num desfile, ainda mais por uma agremiação tão tradicional.
Completavam o Grupo Especial Unidos da Tijuca, Lins Imperial e a estreante Acadêmicos do Grande Rio, que teria a honra de abrir o desfile com o ilustre reforço do intérprete Dominguinhos do Estácio – com direito a Wantuir e David do Pandeiro no apoio.
OS DESFILES
Não foi uma abertura das mais auspiciosas. Ainda com os setores de arquibancada longe da lotação máxima e com dia claro, a Grande Rio desfilou com um confuso enredo sobre o começo da civilização e os conflitos humanos. Com quase 4 mil componentes, a escola teve dificuldades de evolução desde o começo do desfile, principalmente pela lenta apresentação da comissão de frente.
Para piorar, o samba – embora bem descritivo – era frio, e isso se refletiu na apresentação da escola, que, apesar de ter se exibido de forma razoável nos quesitos plásticos, voltou a ter graves problemas de harmonia e evolução depois de a bateria passar reto pelo box. Desde já, a Tricolor seria candidata ao descenso.
A Lins Imperial homenageou o ativista Chico Mendes, morto poucos anos antes, e desfilou com alegorias e alas multicoloridas, embora com pouco rosa, uma das cores da escola. O samba tinha boa melodia e foi bem conduzido por Celino Dias. O trecho “Voa pássaro da paz / Voa livre e vai mostrar / Que essa área verde existe / Para o mundo respirar” sintetizava bem o enredo.
Mas o destaque absoluto do desfile foi a cadência da bateria, já que o carro abre-alas quebrou ainda na concentração, e a direção de harmonia da Verde e Rosa não esteve numa das suas melhores noites – apesar de os componentes terem se esforçado na pista.
A evolução foi um tanto prejudicada por um fator: a exemplo do que ocorreria com outras escolas, houve uma inexplicável demora na entrega dos microfones aos cantores, que só conseguiram começar a levar o samba quando os cronômetros já estavam disparados.
Terceira escola a desfilar no domingo, a União da Ilha passou alegre como se esperava, e o samba de Franco (marcheado para alguns) estava na boca do povo. O enredo em homenagem a Didi tinha sido sugerido por Fernando Pamplona na transmissão do desfile da Ilha de 1989 e fpo desenvolvido por Ely Peron e Rogério Figueiredo, que literalmente fizeram a escola passear de bar em bar.
A comissão de frente era formada por homens de toga e cabelo branco, numa referência à advocacia, profissão de Didi, que, diga-se de passagem, escondia da família a incursão pelo mundo do samba e, claro, os “bares da ilusão”, como dizia o samba e as alegorias mostravam.
Dispensam palavras as exibições de Aroldo Melodia e da bateria de Mestre Odilon, mas a escola teve uma evolução amarrada, e os componentes tiveram de apertar muito o passo para que os benditos 80 minutos não fossem estourados – a escola encerrou sua passagem com 79 minutos.
De qualquer forma, apesar da quebra de uma das alegorias e de uma grave falha de evolução quando a bateria entrou no box, de foi o melhor desfile até então. Mas era pouco, já que 13 escolas ainda passariam pela pista da Sapucaí.
Até então mesmo, porque a Imperatriz Leopoldinense se apresentou de forma vibrante e ainda por cima forte em todos os quesitos, candidatando-se ao título de cara. Plasticamente e conceitualmente, o trabalho de Viriato Ferreira foi brilhante, com a história da banana sendo contada desde o surgimento, de forma clara e criativa.
O fruto, claro, foi lembrado durante todo o desfile, com destaques para o carro da colheita, com enormes cestos cheios de bananas, e outro elemento que satirizava o governo Collor, mostrando um saco de poupança confiscada…
Os figurinos e alegorias pendiam para o verde, o dourado e o branco, e permitiam ótimas evoluções aos componentes, o que ajudou a escola nos quesitos de pista. Além disso, como já era tradição, a bateria passou muito bem, com ótimos desenhos de tamborins e convenções.
E o samba, que rendeu excepcionalmente bem, era de uma turma de craques: Preto Jóia, Tuninho Professor, Niltinho Tristeza, Guga, Guará da Empresa e Flavinho. Preto Jóia, diga-se de passagem, assumia definitivamente a condição de primeiro intérprete da escola, onde permaneceria por mais oito anos.
Também chamou muito a atenção do público a então jovem modelo Melissa Benson (foto acima), praticamente como veio ao mundo, tomando banho numa alegoria – aliás, a moça sumiu do mapa depois…
Depois da ótima exibição da Imperatriz, a Beija-Flor acabou não repetindo as apresentações arrebatadoras de anos anteriores. Numa analogia com a famosa história infantil “Alice no País das Maravilhas”, Joãosinho Trinta criou “Alice no Brasil das Maravilhas”, uma crítica social ao que vinha acontecendo no país.
Algumas alegorias e fantasias estavam monumentais como era o padrão nos desfiles concebidos por João 30. Já outros figurinos não estavam tão criativos e atraentes, o que deixou um gostinho de “quero mais” ao público.
Mas o samba, considerado limitado pela crítica, foi muito bem cantado pelos componentes, que evoluíram com fluidez, e isso sem dúvida garantiria boas notas na apuração. Por outro lado, não houve uma grande comunicação com o público.
“Desta vez, Joãozinho Trinta pareceu ter deixado de lado preocupações estéticas ou obviamente contestatórias. Talvez não tenha sido tão refinado como nos tempos em que cantava a criação do mundo e encantava presumidos conhecedores de arte”, criticou o Jornal do Brasil.
Em seguida, a Mangueira deixou um gosto de “quero muito mais” ao público e fez um Carnaval para esquecer. O enredo “As Três Rendeiras do Universo” era baseado numa lenda sobre a criação do mundo em que Renda de Luz, Renda de Água e Renda da Terra teciam os elementos da natureza.
Com o perdão do péssimo trocadilho, a escola não rendeu… O enredo até era interessante e foi bem dividido, mas o conjunto visual não agradou aos mangueirenses mais exigentes, com a divisão cromática fugindo em diversos momentos do verde e rosa tradicionais da escola. Além disso, a falta de recursos no barracão era patente, com um conjunto alegórico que não fazia frente a outros daquele ano.
Infelizmente a Verde e Rosa ainda passou de forma bastante fria, até porque o samba, apesar de bonito, não era dos mais populares, e a direção de harmonia da escola apressou a evolução com medo de um novo desastre como o ocorrido no desfile de 1990.
Salvaram-se apenas a bateria, com andamento e firmeza impecáveis, e mais uma extraordinária interpretação de Jamelão, que, depois de ter anunciado a aposentadoria em 1990, voltou atrás. Mas a briga pelas primeiras colocações estava fora de cogitação.
Depois da passagem da Mangueira, um outro desfile não programado: um cachorro invadiu a pista e percorreu os 700 metros da Sapucaí até finalmente ser resgatado e, obviamente, retirado…
Em seguida, a Estácio de Sá esteve melhor no conjunto, mas ainda assim com alguma irregularidade. A escola tinha um interessante enredo de crítica à incorporação da cultura estrangeira ao dia a dia dos brasileiros e ao excesso de consumismo da sociedade.
O carnavalesco Mário Monteiro teve bons momentos na concepção do enredo, e havia uma pesada crítica a Carmen Miranda, o que era retratado no refrão do meio do ótimo samba-enredo conduzido por Rixxa.
O conjunto alegórico era imponente, com destaque para o abre-alas, com os leões símbolos da escola enjaulados (foto), e o carro da favela, que pedia o resgate dos valores culturais brasileiros. Agradou também o elemento que retratava os consumistas e tinha até a representação de uma sex shop.
As fantasias também tiveram altos e baixos, e não agradou à crítica da época o figurino da ala das baianas, que tinha vermelho, verde, preto e dourado e uma inscrição do calçadão de Copacabana. De qualquer forma, como não teve problemas nos quesitos de pista, a Vermelho e Branco poderia até obter uma boa posição.
Encerrou o primeiro dia de desfiles a São Clemente, em um confuso enredo que projetava como seria o mundo entre os anos de 2991 e 3991 e ainda satirizava o momento vivido pelo Brasil. Segundo o enredo, a Terra seria invadida em 22 de abril de 3500 pelo imperador Clementius I, que reorganizaria a sociedade.
O samba-enredo não era dos melhores, e o competente trio de cantores formado por Sidnei Moreno, Izaías de Paula e Geraldão não teve como salvá-lo. O pessimismo da escola em relação ao futuro rendeu um desfile arrastado e sem alegria, características opostas ao que sempre se via na escola da Zona Sul.
Para se ter uma ideia, uma das alegorias tinha vários monumentos, incluindo o Cristo Redentor, destruídos… Convenhamos, para uma escola que encerrava um dia de desfiles, um enredo desses, apesar de uma crítica sempre ser válida, não era dos mais auspiciosos.
Por outro lado, alegria e irreverência não faltaram na estreia da niteroiense Unidos do Viradouro na elite do carnaval carioca. A escola homenageou Dercy Gonçalves, que, aos 83 anos, resolveu fazer topless no abre-alas porque a armação da fantasia estava incomodando o busto – aliás, a homenageada quase não desfilou pois estava se recuperando de um acidente de carro no qual teve a bacia fraturada.
Falando no abre-alas, que tinha cisnes cercando o local em que Dercy desfilou, o elemento estava bem concebido e acabado, assim como os demais carros e adereços de mão, que tiveram belo efeito.
O samba-enredo, que era agradável, foi muito bem cantado pelo intérprete Quinzinho, e a bateria passou corretamente. A evolução foi um pouco prejudicada no começo devido a problemas no sistema de som – o samba começou a ser cantado quando os cronômetros apontavam quatro minutos – mas a escola se assentou depois.
Uma chuva fina acabou afetando um pouco o acabamento das fantasias, mas o carnaval concebido pelo carnavalesco Max Lopes foi de ótima qualidade, e a história da atriz e humorista foi muito bem contada. A permanência da escola no Grupo Especial era dada como certa.
Por outro lado, a Caprichosos de Pilares não reeditou suas boas apresentações da década de 80. O carnavalesco Alexandre Louzada concebeu um enredo tentando projetar o terceiro milênio e, a despeito da boa concepção de alegorias e fantasias, o samba não era popular.
Falhas também tiveram alguns carros alegóricos. Por causa da chuva, a parte elétrica de alguns elementos não funcionou, e isso impediu que os efeitos especiais fossem mostrados na pista.
Além disso, houve falhas nos quesitos Evolução e Harmonia, e a bateria da Caprichosos foi mais uma que passou direto pelo recuo, o que rendeu críticas pesadas de Mestre Marçal na transmissão da Manchete, a exemplo do que ocorrera em 1990. Era mais uma prova de que as escolas ainda não estavam preparadas para desfilar em apenas 80 minutos.
“Tá na mesa Brasil” foi o enredo da Unidos da Tijuca, no qual a culinária brasileira foi visitada por intermédio de um banquete oferecido pelo Rei Momo para celebrar o Carnaval. O carnavalesco Oswaldo Jardim apresentou bem as ideias, e a escola fez sua melhor passagem desde a volta à elite, em 1988.
Como a Tijuca não era das escolas mais ricas daqueles tempos, uma boa saída encontrada foi utilizar tripés para ladear as alegorias e alas, que retrataram a culinária de várias regiões do Brasil com coerência.
Além do mais, as fantasias, de boa leitura e concepção, eram leves e facilitavam a evolução dos componentes, que passaram empolgados.
O samba-enredo rendeu bem, a bateria de Mestre Paulinho teve uma apresentação bastante firme, com um andamento correto e até paradinhas. O cantor Nêgo ganhou pela primeira vez o Estandarte de Ouro como melhor intérprete.
Em seguida, a Portela fez seu “Tributo à Vaidade” e realizou uma das melhores apresentações daquele Carnaval – para alguns, a melhor da escola desde o campeonato de 1984, ano da inauguração do sambódromo.
A tradicional comissão de frente com os ícones portelenses voltou a emocionar e águia do abre alas (foto ao lado) estava linda, nas cores da escola, e com diversos movimentos. O carnavalesco Silvio Cunha fez seu melhor trabalho pela Azul e Branco, e o samba, que já era considerado o melhor do ano, foi bem cantado por público e componentes.
No entanto, o carro de som cantou o excelente samba num tom acima do usado no disco. Com isso, os cantores demonstraram um claro cansaço na parte final do desfile, e o desarranjo com a harmonia de base foi apontado por Maria Augusta e Mestre Marçal na transmissão da TV Manchete.
Apesar disso, a bateria de Mestre Timbó, com andamento ainda bastante tradicional, esteve numa grande noite, e a Portela ainda se apresentou bem nos quesitos de pista como Harmonia e Evolução.
Sem dúvida, a Portela estava credenciada a brigar pelo título e poderia estar vaidosa, como dizia o enredo, por ter feito uma excelente exibição, à altura das tradições portelenses.
Mas um obstáculo ao sonho dos portelenses prometia ser a campeã Mocidade Independente de Padre Miguel. Prometia, não. Foi mesmo um obstáculo que se revelou intransponível.
Fato é que, com o enredo sobre as águas, a Verde e Branco realizou o melhor desfile do ano. Poucas vezes se viu um enredo tão bem encadeado e desenvolvido, mérito, claro, dos carnavalescos Renato Lage e Lílian Rabello.
Quase 30 anos depois, é inesquecível a comissão de frente com mergulhadores e seus escafandros (foto acima). A evolução fazia todos acreditarem que eles estavam realmente debaixo d’água. Simplesmente brilhante!
O abre alas também simbolizava o fundo do mar, com a estrela guia da escola virando uma estrela do mar, num acabamento e criatividade simplesmente impecáveis.
Mas o carro que mais chamou a atenção foi o segundo, chamado “Planeta Água” (foto ao lado), e que simbolizava o líquido uterino e o começo da vida. Outra alegoria remetia a Iemanjá, e bolinhas de sabão cobriam destaques vestidas de sereias.
O samba, que não era tão poético como outros da safra de 1991, mas era inegavelmente popular, caiu no gosto do povo, que justificou o trecho “Uma overdose de alegria/Num dilúvio de felicidade”. A chegada da Mocidade à Praça da Apoteose foi um dos grandes momentos do sambódromo, com o público entorpecido cantando e balançando os braços.
A bateria Nota 10 da Mestre Jorjão esteve bastante cadenciada e também agradou do começo ao fim do desfile, que terminou com o público gritando “bicampeã!”.
Depois da Mocidade, o Salgueiro também fez uma excelente apresentação. O enredo sobre a Rua do Ouvidor era de fácil leitura, e o samba, que para muitos era apenas inferior ao da Portela naquele ano, foi muito bem cantado pelos desfilantes.
Aquele carnaval salgueirense também marcou a estreia do intérprete Quinho, que, como de costume, divertiu o público com seus cacos engraçados e cantou bem o samba, outra vez bem sustentado pela bateria do saudoso Mestre Louro.
A carnavalesca Rosa Magalhães foi brilhante na concepção do enredo, e o carro da relojoaria (foto ao lado) era simplesmente espetacular, assim como as demais alegorias, que mostravam o antes e o depois do comércio do famoso logradouro. As fantasias também estavam em excelente nível, pendendo para as cores da escola, mas também usando outras tonalidades.
O único pecado da escola foi a evolução apressada demais, e o público, cansado depois de cantar a plenos pulmões durante as apresentações de Mocidade e Portela, foi menos vibrante. Mesmo assim, o Salgueiro saiu da pista certo de um bom resultado.
Penúltima a desfilar, a Vila Isabel sentiu muito a falta de recursos para a concepção de fantasias e alegorias do mesmo nível de outras escolas. Mas o enredo “E tome polca” foi uma agradável homenagem ao compositor, artista plástico e cartunista Luiz Peixoto.
Uma das grandes amigas de Luiz Peixoto, a vedete Virgínia Lane era uma destaques do carro abre-alas, bastante simples. Recebeu aplausos a cantora Marlene, outra contemporânea do homenageado.
“Eu só podia ser louca mesmo para subir nesses carros sem a ajuda de guindaste”, admitiu a saudosa cantora, na época com 69 anos.
Por outro lado, o samba-enredo era muito bom, e a bateria apresentou excepcional andamento. Mas, se sobrou samba no pé, faltou algo mais para a escola brigar lá em cima.
O Império Serrano começou o desfile de encerramento do Carnaval de 1991 logo por volta das três da manhã, e a apresentação não agradou aos mais tradicionalistas. O enredo sobre os caminhoneiros não rendeu um bom samba, e a estética da escola foi considerada calamitosa pelos críticos mais ferrenhos.
O carnavalesco Ney Ayan, que antes do desfile prometera ao público uma apresentação revolucionária, colocou cinco carretas de verdade no desfile, e ainda fez menção às marcas Honda, Ipiranga e Volvo, o que renderia a perda de cinco pontos, como mandava o regulamento. Uma lástima.
Salvaram-se apenas a bateria, que esteve impecável e impôs um andamento perfeito, a atuação do cantor Tico do Gato, que se desdobrou para tirar algo do samba, e a garra dos componentes.
De qualquer forma, foi um desfecho de Carnaval chocho, já que pela primeira vez na história os desfiles terminaram antes do amanhecer, e ficou a sensação de que “faltava alguma coisa”…
REPERCUSSÃO E APURAÇÃO
Terminados os desfiles, a expectativa era a de uma briga entre a Mocidade e a Portela, com Imperatriz e Salgueiro correndo por fora. A Mocidade dominou toda a apuração, apesar de um surpreendente 9,5 em Bateria.
Se a vitória da escola de Padre Miguel foi relativamente tranquila e esperada, surpreendeu bastante a Portela ter ficado apenas na sexta colocação, fora até do Desfile das Campeãs – para muitos, uma grande injustiça.
No fim, a Mocidade terminou com 297 pontos, contra 295,5 do Salgueiro, que foi seguido por Imperatriz, Beija-Flor (uma surpresa) e a Estácio (uma surpresa maior ainda). Castor de Andrade não se conteve e comemorou, bem ao seu estilo folclórico:
“Fazer esse carnaval nessa crise só foi possível graças à dedicação do meu filho Paulinho, dos maestros Renato Lage e sua senhora (Lílian Rabello), do pessoal do barracão, especialmente o Chiquinho, e da bateria, que é responsável por 50% do nosso sucesso. E, claro, graças à grana do patrono. Sem ela, não haveria desfile”.
O regulamento previa a queda de quatro escolas, para que o Grupo Especial ficasse reduzido a 14 agremiações. A Viradouro manteve-se na elite num ótimo sétimo lugar, enquanto São Clemente, Lins Imperial e Grande Rio caíram, assim como o Império Serrano, que, com o último lugar, sofreu o primeiro rebaixamento desde 1978.
Chamou a atenção o péssimo resultado de outras escolas tradicionais como a Vila Isabel, em 11º lugar, e a Mangueira, em 12º, a uma posição da zona de rebaixamento. Ambas as escolas não tinham patronos e sofreram um bocado com o Plano Collor, que confiscou as poupanças em 1990.
“Estão querendo empurrar todas as escolas que não têm bicheiro para o Grupo 1“, acusou o presidente da comissão de Finanças da Mangueira, Márcio Garcia.
RESULTADO OFICIAL
POS. | ESCOLA | PONTOS |
1º | Mocidade Independente de Padre Miguel | 297 |
2º | Acadêmicos do Salgueiro | 295,5 |
3º | Imperatriz Leopoldinense | 293,5 |
4º | Beija-Flor de Nilópolis | 290,5 |
5º | Estácio de Sá | 290,5 |
6º | Portela | 290,5 |
7º | Unidos do Viradouro | 290,5 |
8º | Unidos da Tijuca | 289,5 |
9º | União da Ilha do Governador | 281 |
10º | Caprichosos de Pilares | 275 |
11º | Unidos de Vila Isabel | 274 |
12º | Estação Primeira de Mangueira | 269 |
13º | São Clemente | 265 (rebaixada) |
14º | Lins Imperial | 264 (rebaixada) |
15º | Império Serrano | 258 (rebaixada) |
16º | Acadêmicos do Grande Rio | 240 (rebaixada) |
O Grupo de Acesso, chamado à época de Grupo 1, foi extremamente polêmico. Com 15 minutos após o início do desfile da Acadêmicos de Santa Cruz, que fazia ótimo início de apresentação com o enredo “Boca do Inferno”, em homenagem ao autor Gregório de Matos, um blecaute atingiu toda a Marquês de Sapucaí.
Técnicos da Light informaram que um cabo de energia do sambódromo foi mexido indevidamente, enquanto a administração da Passarela alegou que houve uma sobrecarga fora da Sapucaí. Fato é que a Santa Cruz desfilou até o fim com muita garra, mas sem luz.
O regulamento não previa nenhuma medida em caso de apagão durante um desfile. Com isso, a apuração começou com seis horas de atraso, porque a Associação das Escolas de Samba e a Riotur tentaram alcançar um entendimento para o julgamento da Santa Cruz. No fim, prevaleceu a decisão de colocar a escola como hors concours, ou seja, sem julgamento.
A apuração acabou credenciando Tradição e Leão de Nova Iguaçu a subirem. A primeira desfilou com o enredo “De geração a geração, nas asas da Tradição”, sobre os ditos populares, enquanto a Leão passou com o enredo “Quem te viu, quem tevê”, falando da televisão. A Tradição somou um ponto a mais (114 a 113). Caíram Paraíso do Tuiuti e Independentes de Cordovil.
Com a Santa Cruz sem julgamento, Riotur e AESCRJ decidiram pleitear à Liesa a inclusão da escola da Zona Oeste no Grupo Especial para 1992. Presidente da Liesa, Capitão Guimarães refutou a ideia imediatamente:
“Se o regulamento diz que sobem apenas duas escolas, não faria sentido tirarmos quatro do Grupo Especial e permitirmos mais uma do Grupo 1”.
Sem acordo, a Santa Cruz resolveu entrar na Justiça comum para exigir uma vaga na elite em 1992, o que acabaria conseguindo a poucos dias do Carnaval seguinte.
No desfile do Grupo 2, também realizado no sambódromo, a vitória ficou com a Acadêmicos da Rocinha, que teve Joãosinho Trinta no desenvolvimento do enredo “Da Roma Pagã ao despertar da Rocinha”. Também subiu a Unidos do Campinho (“Dourados sonhos de Axuí). Foi o terceiro ano consecutivo com as duas escolas subindo juntas.
CURIOSIDADES
– Estação Primeira de Mangueira (12º lugar) e Império Serrano (15º) terminaram nas suas piores colocações até então na história.
– A TV Manchete teve profundas mudanças em seu estilo de transmissão. Eliakim Araújo passou a dividir a narração com Paulo Stein, com cada um transmitindo os desfiles de quatro agremiações por dia – Eliakim com as primeiras escolas e Stein, com as quatro últimas. O time de comentaristas também mudou: Fernando Pamplona, Sérgio Cabral, Albino Pinheiro e José Carlos Rêgo não participaram das transmissões, enquanto Maria Augusta e Beth Carvalho se juntaram a Haroldo Costa, Roberto Barreira e Mestre Marçal. Além disso, foi criado o Botequim do Samba, onde Leila Cordeiro e Leilane Neubarth entrevistavam sambistas antes de cada desfile – o carnavalesco Luiz Fernando Reis também participava, comentando as expectativas de cada escola.
– Na Globo, a narração era dividida entre Fernando Vannucci, Cleber Machado e William Bonner. Este, diferentemente do sóbrio estilo empregado na apresentação dos telejornais da casa, demonstrou muita leveza e descontração na narração dos desfiles, além de muita desenvoltura ao passar as informações de cada escola. O trio de comentaristas era “pesado”: Leci Brandão, Paulinho da Viola e Jorge Aragão.
– Falando em Aragão, este compõs o samba que se tornou em 1991 a trilha sonora da folia na Globo: era a vez do “Carnaval Globeleza”, que segue até os dias de hoje.
– O péssimo desfile do Império Serrano lamentavelmente seria o último concebido pelo carnavalesco Ney Ayan, que morreria naquele mesmo ano, com apenas 44 anos. Ayan deu sua contribuição em bons desfiles nos anos 80, pelo próprio Império e no famoso “Festa Profana”, da União da Ilha.
– Com o ótimo sétimo lugar em 1991, a Unidos do Viradouro deu início a uma marcante passagem pelo Grupo Especial, de onde seria rebaixada apenas em 2010 – voltaria só em 2015 para cair novamente, e está de volta em 2019.
– Por outro lado, a Lins Especial fez seu último desfile na elite em 1991. Depois de sucessivas crises e rebaixamentos, a simpática escola infelizmente está no Grupo de Acesso D, o último.
– As cinco primeiras colocadas de 1990 também ficaram no Top 5 em 1991, com a Beija-Flor caindo do segundo para o quarto lugar e Salgueiro e Imperatriz subindo respectivamente para segundo e terceiro. Mocidade (campeã) e Estácio (quinto lugar) mantiveram suas posições.
– O único susto da Mocidade na brilhante apresentação foi com o excelente casal de mestre-sala e porta-bandeira formado por Alexandre e Babi, pois eles tiveram muitas dificuldades por causa do excesso de peso das fantasias. Ambos chegaram chorando à Apoteose e na apuração, de fato, eles perderam pontos, mas a escola ganhou o bi.
CANTINHO DO EDITOR – Por Pedro Migão
Nos dias de hoje este samba da Portela jamais ganharia a disputa, pois alegariam que “não segue a sinopse”. À época o argumento dos compositores foi de que não há nada mais importante para um vaidoso que se tornar o centro de uma conversa. O samba foi “reabilitado” após o incêndio no barracão de 2011, tendo se tornado uma espécie de “samba exaltação” desde então.
O sexto lugar obtido ficou bastante aquém das expectativas pré-apuração, quando se imaginava que a Portela poderia ameaçar o título Independente – como mostra a capa do Jornal do Brasil da quarta feira de Cinzas daquele ano que reproduzo abaixo. Mas os jurados viram um desfile próprio, ao que parece.
Melissa Benson se tornou evangélica. E este carnaval da Imperatriz seria o último do grande Viriato Ferreira, que substituiu Max Lopes – este ascendeu com a Unidos do Viradouro em 1990 e optou por ficar nesta no Grupo Especial, abrindo mão da agremiação de Ramos.
A Portela voltou a desfilar totalmente à noite pela primeira vez desde 1980. Aliás, o desfile de segunda feira se encerrou às três da manhã, em recorde que não seria batido nos anos posteriores.
Joãosinho Trinta daria uma resposta antológica ao final do desfile da Beija Flor, sobre o hermetismo de seu enredo: “Quem entendeu, muito bem. Quem não entendeu, melhor ainda”. Ele seria campeão do Grupo 2 (Terceira Divisão) naquele ano, pela Acadêmicos da Rocinha.
O enredo da Vila Isabel foi escolhido em um concurso, aberto a todos que quisessem participar.
1991 marca o ano em que o Grupo 3 veio para a Marquês de Sapucaí, desfilando na terça feira de carnaval. O Grupo 4 desfilou na Avenida Rio Branco domingo de carnaval (com a vitória da Canários das Laranjeiras e o vice campeonato da Unidos de Vila Kennedy). O Grupo de Avaliação também desfilou na Rio Branco, segunda feira de carnaval. A Unidos de Villa Rica foi a campeã e o Boi da Ilha do Governador a vice campeã.
O samba da Em Cima da Hora, quarta colocada no grupo 3, homenageava Elymar Santos e tinha algumas passagens inusitadas: “Filho de Oxossi, filho de Iansã / Pela feira de Olaria, com carrinho de rolimã” e “Taberna da Ilha, Dom Franguito e Tabuão / Com a força do talento / Alugou o Canecão…”
Links
O desfile campeão da Mocidade Independente de Padre Miguel
O ótimo desfile do Salgueiro em 1991
A apresentação da Imperatriz Leopoldinense
A injustiçada apresentação da Portela
Primeira vez que as notas foram quebradas em meio ponto, foi assim até 2001.
Bravo! Bravíssimo! O Grupo Especial era apresentado a uma gigante chamada Unidos do Viradouro, num casamento que durou 19 anos, um título e 11 participações no desfile das campeãs. Este casamento até foi reatado em 2015, mas sem sucesso.
Começava aí a bancarrota do Império Serrano que dura até hoje, sendo que a serrinha até esboçou uma reação nos anos 2000.
Uma cena clássica do desfile da Ilha é o Aroldo Melodia dando um esporro nos músicos por não acompanharam ele na hora de cantar o samba, além de dar uma patada num repórter da Manchete.
Se por um lado o ótimo samba da Lins a rebaixou em 1991, por outro este mesmo samba (reeditado) deu a verde e rosa o título do finado Grupo B em 2007.
“Posso perder, posso ganhar, isso é normal / Vinte uma vezes campeã do carnaval” como esse verso anda tão atual…
Ah, esqueci de outro detalhe:
“O meu sonho de ser feliz/Vem de lá, sou Imperatriz” quem diria que este verso seria eternizado como um dos alusivos mais lindos do carnaval?
“Posso perder, não vou ganhar, isso é normal/ Há 30 anos eu não ganho um Carnaval…”.
“É no chuê, chuê… é no chuê, chuá…”. E tem gente que diz que o título foi injusto!!!
Injusto foi a Portela não ter sido terceira colocada, pois, na minha opinião o Salgueiro mereceu o vice!!!
Acabei esquecendo de citar a Beth Carvalho cantando o samba no ar durante a transmissão da Manchete. Foi sensacional!
meu caro sabino,vc acha que a sua mangueira deveria ser rebaixada no lugar da lins,que fez bem superior as rebaixadas,e a mocidade que show apesar de levar 9,5 em bateria e 8 e 9 em mestre sala e porta bandeira.a portela ter sido sexta foi injusto,um terceiro lugar tava bom demais.
Apesar dos pesares, não acho que a Manga deveria cair. Afinal são dez quesitos e ela foi melhor do que as rebaixadas nos quesitos de pista. Pra mim, ela ficou onde deveria mesmo. E acho o desfile de 1989 da Mangueira até pior do que 1991. Já a Lins passou pior do que em 1990, mesmo tendo bons samba e bateria. Quanto ao título da Mocidade, pra mim é indiscutível, mas a Portela brigaria pelo vice com o Salgueiro, com vantagem. ABS!
Peraí, tem um erro no comentário do Luciano.
A Mocidade, na verdade, passou quatro anos seguidos (1989 a 1992) só levando nota 10 na bateria, certo???
Primeiro desfile da Mangueira que assisti, não dei muita sorte, lembro que os tons de verde e rosa utilizados eram muito fortes, estranhíssimos…
Adoro esse samba do Salgueiro, que ainda marcou a estreia do Quinho, que rapidamente identificou-se com a escola. Mas o título da Mocidade foi inquestionável.
E não adianta: “De bar em bar, Didi, um poeta!” virou o hino oficial dos bons bebedores! Inesquecível!
não tá errado não a mocidade levou sim 9,5 no primeiro quesito bateria.
Depois de passarem a comissão de frente e os dois primeiros carros alegóricos não tive dúvidas do bi da Mocidade. Também achei justo o vice do Salgueiro. Assim como acho o samba salgueirense melhor que o da Portela, ao contrário do Fred. Mas a águia merecia o Desfile das Campeãs. Fora isso, nada mais a comentar sobre esse triste (para mim) 1991. Ah! Sim. No Acesso a Santa Cruz com o melhor samba da escola que vi passar na avenida.
Questão de gosto, claro, mas talvez o samba da Portela não tenha tido o devido impacto no desfile porque foi cantado num tom muuuuuuito acima do normal e os puxadores cansaram. Mas o samba do Salgueiro é brilhante também!
Aliás, antigamente eu achava realmente o do Salgueiro melhor, mas mudei de opinião com o tempo, hoje a melodia do samba da Portela me cativa de forma impressionante.
Perfeito. O samba da Portela era lindo no disco/CD. Mas era mania do Dedé da Portela subir demais a melodia. Fez isso em 1987, 1988, 1990, 1991 e 1994. Isso matava a escola na avenida!!
Fecho com o repórter Carlos Gil: pra mim o samba do Salgueiro é superior ao lindo portelense e um dos melhores da década. Aliás, na transmissão da Globo, Jorge Benjor estava tão entorpecido com o samba da Academia que as câmeras da Platinada acompanharam ele cantando uma passada inteira com a letra na tela. Na Manchete, nas noites das campeãs, a Beth Carvalho também não parava de cantarolar o belíssimo samba da Imperatriz. Como já mencionado pelo Carlos Alberto, a Lins reeditou a obra sobre Chico Mendes 16 anos depois, tendo um final feliz dessa vez… aliás, deve ser a única reedição em que um mesmo intérprete a defendeu em ambas as ocasiões, no caso Celino Dias.
Muito bem lembrado sobre o Celino, Marco!
E é mais uma prova de como o Celino Dias tem reputação injusta, porque sempre que teve samba bom ele deu um show!!
Esse ano foi emblemático. Nasceu aí minha paixão pelo Carnaval, ao ver na tela o deslumbrante abre-alas da Mocidade com aquele feto dentro do globo terrestre.
Tinha 10 anos de idade e trago até hoje essa paixão também pela Mocidade e admiração pelo trabalho do Renato Lage (na minha opinião o melhor carnavalesco de todos os tempos).
Torço a cada ano para que a Mocidade volte ao menos nas campeãs e não consigo entender porque ela caiu tanto de 2002 pra cá.
Muitos podem dizer que é má administração, mas mesmo assim é complicado não ter mais tantas alegrias com uma agremiação que era quase imbatível.
Obrigado pela lembrança de 1991 e muita sorte e competência a Estrela-Guia!
A Melissa Benson, que foi destaque no chafariz da Imperatriz, fez uma apresentação incrível naquele desfile. Sua beleza física e a forma como brincava na água, proporcionou um dos espetáculos mais sensuais que eu vi na Sapucaí.
Foi um pena que ela tenha sumido do mapa.