Na votação desta terça em Indiana, tivemos, na prática, a definição final de quem estará no topo das chapas de disputa para a presidência americana dos dois principais partidos do país.
Partido Republicano
Trump mais uma vez teve uma vitória avassaladora em um estado que deveria favorecer Cruz. Com 53,3% dos votos contra apenas 36,7% de Cruz, mesmo em mais um estado bastante conservador e evangélico como Indiana, Trump dominou a votação em todo o estado e levou todos os 9 distritos, conseguindo assim todos os 57 delegados disponíveis.
Com os 57 delegados, com a matemática que indiquei aqui na semana passada, que não leva em consideração nenhum delegado para Trump em Indiana, a obtenção dos 1237 delegados necessários para Trump garantir a indicação era uma questão de tempo até chegar a primária da Califórnia.
Assim como eu, todos sabiam disso, inclusive Ted Cruz. Então, para evitar desgastes, embates e gastos de dinheiro desnecessários, Ted Cruz em seu discurso anteontem decidiu abandonar a candidatura a presidência, tendo em vista que todos os caminhos possíveis para sua a viabilidade foram devidamente fechados. No dia seguinte, foi a vez de Kasich anunciar a desistência de sua candidatura.
Com a desistência dos dois adversários ainda restantes, Trump, como o único candidato restante, se torna automaticamente o “candidato presumido” do Partido Republicano para a Eleição Presidencial de 2016.
Também chegamos ao fim da linha no Partido Republicano, de forma até mais inconteste que no partido democrata, já que é certo afirmar agora que não haverá Convenção Contestada no Partido Republicano. Como se verá abaixo, isso não é tão certo no Partido Democrata, embora todos saibam quem emergirá candidata ao fim de tudo.
Contagem Parcial de Delegados (estimativa):
- Trump – 1057
- Cruz – 570 (desistiu)
- Rubio – 173 (desistiu)
- Kasich – 157 (desistiu)
Número Mágico: 1237
Fonte: blog The Green Papers
Partido Democrata
Se Trump entrou em uma onda “imparável” de vitória com os republicanos, Clinton não consegue fazer o mesmo no Partido Democrata. Mesmo com a nomeação certa na prática, ela continua tropeçando em Sanders quando a votação permite o voto dos eleitores independentes. Em Indiana, onde a votação é aberta (ou seja, até pessoas de outros partidos podem votar), Sanders conseguiu mais uma vitória, por 53% a 47%.
A vitória, apesar da pequena margem, não deixa de ser notável porque, mesmo que Sanders tenha gasto muito tempo e dinheiro na campanha em Indiana contra uma total indiferença de Hillary, que já está pensando na eleição de novembro contra Trump, o perfil demográfico do eleitorado de Indiana favorecia mais a campanha de Clinton. O que apenas amplifica a dificuldade que Clinton está tendo em conquistar o eleitorado branco, justamente aquele no qual Trump se dá melhor. Isso poderá levar a algumas reviravoltas no mapa eleitoral presidencial em novembro.
Porém, com as regras proporcionais do Partido Democrata, tal vitória apertada resultou em apenas 4 delegados “comprometidos” a mais para Sanders, totalmente insignificante na grande distância de 290 delegados “comprometidos” que já o separam.
Logo, tal vitória não altera em nada o quadro de inevitabilidade da candidatura de Hillary que desenhei semana passada; apenas dará um fôlego moral para Sanders levar a campanha até o fim da última prévia e, caso ele queira, até uma convenção contestada, mas com fim certo a favor de Hillary Clinton.
Salvo notícias muito excepcionais, a batalha de novembro será entre Trump e Clinton. Uma batalha que tem potencial para redesenhar bastante o mapa eleitoral dos Estados Unidos que estava se consolidando nos últimos 15 anos. Até as emissoras americanas já deixaram de cobrir detalhadamente os resultados das prévias para comentar as possibilidades dessa disputa que ocorrerá no dia 8 de novembro.
Contagem parcial de delegados (estimativa):
- Clinton – 2217 (1704 “comprometidos” e 513 Superdelegados)
- Sanders – 1455 (1414 “comprometidos” e 41 Superdelegados)
Número mágico: 2383
Fonte: blog The Green Papers para os “comprometidos” e CNN para os “não-comprometidos”
Próximas Prévias
Partido Republicano
Dia 10/05 -Nebraska (36 delegados, “winner-take-all” por distrito)
West Virginia (34 delegados, “winner-take-all” por distrito)
Dia 17/05 – Oregon (28 delegados, proporcional)
Dia 24/05 – Washington (44 delegados, híbrido)
Dia 07/06 – Califórnia (172 delegados, “winner-take-all” por distrito)
Montana (27 delegados, “winner-take-all”)
New Jersey (51 delegados, “winner-take-all”)
New Mexico (24 delegados, proporcional)
South Dakota (29 delegados, “winner-take-all”)
As prévias do Partido Republicano a partir daqui serão apenas para “cumprir tabela”. Trump será candidato único e deverá ganhar todos os delegados.
Partido Democrata
Dia 07/05 – Guam (7 delegados, proporcional)
Dia 10/05 -West Virginia (29 delegados, proporcional)
Dia 17/05 – Kentucky (55 delegados, proporcional)
Oregon (61 delegados, proporcional)
Dia 4/06 – Ilhas Virgens (7 delegados, proporcional)
Dia 5/06 – Porto Rico (60 delegados, proporcional)
Dia 07/06 – Califórnia (475 delegados, proporcional)
Montana (21 delegados, proporcional)
New Jersey (126 delegados, proporcional)
New Mexico (34 delegados, proporcional)
North Dakota (18 delegados, proporcional)
South Dakota (20 delegados, proporcional)
Também no Partido Democrata também haverá apenas “cumprimentos de tabela”, com a diferença que Sanders ainda tem uma campanha forte o suficiente para infligir derrotas chatas em Clinton, especialmente em Oregon e Montana; além de disputar voto a voto outras primárias como as “duas Dakotas”, New Mexico e, na esperança da campanha de Sanders, a Califórnia, mesmo contra a demografia e as pesquisas.
De qualquer forma, Clinton deverá ter vitórias arrasadoras em New Jersey, Kentucky e Porto Rico e sequer deverá perder terreno da grande distância que separa ela de Sanders em delegados, qualquer que seja a contagem efetuada.
Mais uma vez o que continuará sendo importante de observar será o tom que Sanders irá adotar. Voltará ele a usar o tom belicoso de New York, o tom mais ameno das primárias da semana seguinte ou continuar o meio termo que ele atingiu em Indiana. Minha aposta é que será o meio termo, abrandando ainda mais a medida que Trump subir seu tom contra Hillary, tom esse que só deverá escalar montanhas a partir de agora.
Com a definição na prática de ambas as candidaturas, não há mais motivos para essa série continuar semanal como está há dois meses. Por isso, salvo alguma notícia que demande uma coluna de plantão, esta coluna só deverá voltar a abordar as prévias americanas na primeira semana de junho, comentando os acontecimentos de maio – além do último grande dia, o dia 07/06, que incluirá a enorme Califórnia.
Mas teremos tempo antes para mais uma prévia no Brasil na Rio 2016. Até lá.
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