A polêmica esportiva da semana foi o gol de mão do atacante Jô pelo Corinthians contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro. Não vi o jogo e na hora que soube da situação até brinquei dizendo que contra o Vasco achava legal, mas é claro que aqui temos que analisar os fatos com imparcialidade.

Pegou mal para o Jô, muito mal. Nem digo tanto pelo gol ilegal poque vários são marcados pelo mundo todas as semanas e um gol de mão é um dos mais famosos da história, o de Maradona contra a Inglaterra na Copa de 1986, que ficou marcado como “La mano de Diós”.

Pegou mal para ele porque, de forma involuntária, Jô foi envolvido na polêmica do fair play de Rodrigo Caio. Relembrando o caso, Jô tomou cartão amarelo por uma pretensa falta cometida quando na verdade Rodrigo Caio foi quem deu encontrão no goleiro são-paulino. O zagueiro assumiu a situação e o cartão de Jô foi retirado.

O problema maior para o atacante do Corinthians é que depois do caso ele disse que mudaria seu modo de pensar em relação ao jogo e ao fair play. Piorou mais ainda porque justo na semana do gol de mão (em entrevista gravada dias antes do jogo) ele deu entrevista para a ESPN reforçando esse pensamento.

Aí ele faz um gol de mão e, pior, com banho tomado e cabeça fria, continuou dizendo que o gol fora de peito mesmo todo mundo sabendo que não foi.

Não vamos ser inocentes. É querer demais que na hora do ato Jô se acusasse e dissesse ao juiz que foi de mão. Ele seria um “herói” do fair play para a imprensa e estaria morto para a torcida do Corinthians. Não tem comparação com o lance de Rodrigo Caio, na vez do zagueiro foi um lance de jogo, o de Jô decidia a partida. Quem garante que em um lance agudo desses Rodrigo Caio manteria o fair play?

Acho sinceramente que o Jô pisou na bola. Não ao não se acusar no ato, mas por não ter sido sincero após o jogo e assumido o gol de mão. Tenho certeza de que a maioria entenderia e essa polêmica toda não seria criada.

Uma pessoa que prega o jogo limpo e diz que aprendeu com o caso anterior não pode ter a “cara de pau” de manter a mentira. Ele e o Corinthians todo, diga-se de passagem, mantiveram a cara de pau e o jogador só assumiu depois de ver a repercussão negativa. Erra feio o Corinthians nisso, ainda mais quando se vitimiza e fala em “deslealdade” com o jogador e o clube a repercussão.

Até acho exageradas as críticas. Certamente ganharam esse tom por ser o Corinthians o beneficiado e em tudo que clubes como Corinthians e Flamengo, que são os mais midiáticos, amados e odiados, estejam no centro é natural que exista uma “perseguição” maior de adversários e imprensa. O Corinthians foi prejudicado em algumas partidas do Brasileiro então não dá para dizer que são “cartas marcadas”.

Mas deslealdade, não. Deslealdade é pregar uma coisa e agir de forma diferente. Deslealdade é reforçar a história do “jeitinho brasileiro” e o “levar vantagem em tudo”.

Apesar de ser claro que a bola bateu no braço de Jô não dá para dar certeza que foi de propósito, mas jogador de futebol sempre tenta ser mais malandro que o outro. Gosta de enganar fazendo cera, finge agressão, que levou falta ou pênalti, dá tapa e provoca adversário fora de lance de bola. É sim uma pequena amostragem do pior do Brasil apesar de alguns acharem a comparação exagerada.

Não tem exagero porque da pequena malandragem, do querer enganar o outro nas pequenas coisas, que surge a grande corrupção, grande maracutaia. Nesses casos não importa o tamanho da picaretagem e sim a índole.

O futebol é, sim, espelho de um país.

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