A coluna do compositor Aloisio Villar trata do recente imbróglio jurídico do futebol brasileiro, que deverá salvar (mais uma vez) o Fluminense de disputar a Segunda Divisão.

A 39ª rodada do Brasileirão

Foi um ano confuso esse do futebol brasileiro em 2013. Nisso não temos dúvidas. Tanto que mesmo com quase todos os times em férias o mesmo não está decidido.

Amanhã temos a 39° rodada do brasileirão, mas essa não será em nenhum estádio, não terá jogadores em campo e nem torcida na arquibancada. Será no STJD, Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que tenta seu bicampeonato brasileiro – já que foi campeão em 2005.

Essa foi apenas uma piada pela remarcação dos jogos de 2005.

E por que o brasileirão será decidido no tribunal? Porque a CBF ofereceu denúncias contra Portuguesa e Flamengo devido a escalações de jogadores de forma irregular. Na sexta anterior da última rodada o jogador Héverton da Portuguesa pegou dois jogos de suspensão por sua expulsão contra o Bahia. André Santos, do Flamengo, pegou um jogo de suspensão pela expulsão contra o Atlético Paranaense na final da Copa do Brasil.

Só que apesar dessas suspensões os dois foram escalados na rodada do final de semana. O Flamengo alega ter escalado André Santos contra o Cruzeiro pelo mesmo ter sido expulso na Copa do Brasil, não Brasileiro e ter ficado de fora no jogo seguinte, contra o Vitória.

A alegação contrária ao Flamengo é que a Copa do Brasil teria se encerrado, portanto o jogador teria que cumprir a punição na competição da CBF que continuava, no caso o Brasileiro, e a partida contra o Vitória não valia como suspensão porque ele ainda não fora julgado.

O Flamengo também alega em sua defesa casos de jogadores expulsos na Copa do Brasil e que com o fim da participação de seus clubes na mesma foram escalados no brasileirão. Casos de Dória do Botafogo e Kleber do Grêmio.

A Portuguesa colocou Héverton no segundo tempo contra o Grêmio mesmo ele estando suspenso por dois jogos e só cumprido um. Alega que recebera informação do advogado que era apenas uma partida e que não foi notificada oficialmente da punição. A acusação diz que foram dois jogos, o clube estava representado no julgamento então a partir daí ele tem ciência da situação e não tem que ser notificado.

Portuguesa e Flamengo perderiam quatro pontos como punição. A Portuguesa seria rebaixada no lugar do Fluminense, o Flamengo ainda se salvaria.

Só que o Vasco também foi para a justiça. Tomou de 5×1 e reclama que o jogo ficou setenta minutos interrompido quando o limite é de trinta com tolerância de mais trinta. O jogo foi interrompido devido a brigas nas arquibancadas. Caso o Vasco saia vencedor em seu requerimento o clube ganha os pontos da partida e caso se confirmem as punições que citei acima cai o Flamengo em seu lugar.

Loucura não? Uma grande confusão.

E o que acho disso?

Acho que o caso do Vasco é perda de tempo. Ele estaria em seu direito se não voltasse a campo, mas a partir do momento que voltou concordou com a continuação do jogo. Ele teria entrado com ação caso tivesse vencido o jogo e escapado do rebaixamento? Evidente que não. Então para mim como não botaram arma na cabeça do banana que preside o Vasco ele concordou com a continuação.

Resumindo: Lugar pra chorar é na cama ou na série B.

Isso só demonstra quanto é patética a administração Roberto Dinamite; tão patética a ponto de fazer Eurico Miranda ressurgir das trevas. Periga o velho dirigente voltar ao Vasco e essa administração Roberto Dinamite mostra que não é porque alguém foi ídolo de seu clube que será grande administrador.

Ainda bem que o Zico decidiu virar técnico fora do país.

Quando aos casos Flamengo e Portuguesa o assunto é mais complexo. O Flamengo usando a situação da Copa do Brasil e exemplos anteriores pode conseguir se safar, mas ficou ruim pra Portuguesa e seu inaceitável problema de comunicação. É ruim demais porque todo o trabalho de um ano inteiro pode ir para o ralo por um problema de comunicação entre advogados. Ruim demais porque voltam aos tribunais e de novo, sem ter culpa ou não, o beneficiado é o Fluminense.

Natural que o clube ganhe cada vez mais antipatia dos torcedores de outros clubes, mesmo que nesse caso, pelo menos aparentemente, o mesmo só acompanhe [1].

É o regulamento. Por causa da falha de comunicação e um jogador reserva que entrou aos 33 do segundo tempo num jogo que valia nada e acabou 0x0 um time pode ser rebaixado e salvando um que com patrocinador forte e medalhões conseguiu a proeza de ser tão medíocre, fazer tanta coisa errada e assim ser o primeiro campeão brasileiro rebaixado no ano seguinte.

Se acontecer e se eu fosse tricolor agradeceria bem baixinho ao advogado da Portuguesa e ficaria escondido num canto com vergonha do ano que meu time teve e de novo ser salvo fora dos campos. Como eu disse, aparentemente a Portuguesa errou e nessa o Fluminense não tem culpa. Mas quatro rebaixamentos em dezessete anos é coisa muita séria. É para se repensar um clube esportivo.

Enfim, é o regulamento e para mim o regulamento está errado. Não é porque algo é da lei que é certo. Existem muitas leis que não concordo. Para mim futebol tem que ser decidido no campo. Mas se comprovar que dentro da lei atual Portuguesa e Flamengo erraram que sejam punidos e o Fluminense estoure mais um champanhe.

Vamos acompanhar o desenrolar dos fatos. O fim de um ano que começou com uma criança tendo a cabeça estraçalhada em Oruro e acabou com selvageria em Joinville e tapetão.

Menos mal que no STJD não tem marquise.

[N.do.E.1: a postura arrogante dos dirigentes e torcedores do Fluminense neste episódio só aumenta a antipatia pelo clube.]